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Poemas

Poesias 1 - 2 - 3

Epitáfio
Joanyr de Oliveira

Os casulos do silêncio
recolhem meu rosto,
meu canto e meu nome.

Entre arcanjos e estrelas,
minha essência navega
o esplendor dos milênios

Doce é o sabor do infinito

O fogo
Viriato Gaspar

Repara como o sol, todos os dias,
vem dissolver em luz a noite escura
do mesmo modo, a tocha da agonia
há de queimar as fibras da loucura,
até que reste apenas a magia
da febre incendiária da ternura


Viagens
Guilherme Felipe da Silva

Há o rio sinuoso
Navegando por naus e galés
Que ancora em minha mente
Vez por outra

Há a estrada de terra
Onde cavalgam cavalos-marinhos
E borboletas multicolores
Vez por outra

Há a saudade
Batendo de porta em porta
Suplicando lembranças
Sempre

Canção para o silêncio
Maria Félix Fontele

Todas as manhãs
quando acordava
ele compunha uma fresta
de luz para o silêncio

A fresta era instrumento
O silêncio, o ouvinte

Ficavam assim
enternecidos
O homem
A fresta
O silêncio

À noite,
o silêncio ensurdecia
Não havia fresta
O homem dormia