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Poemas

Poesias 1 - 2 - 3

África
Áureo Mello

Chamado dos vulcões do solo ardente;
Brados dos tigres da floresta escura;
Marcha na selva da coorte quente,
Corte de sílex que jamais tem cura.

Banzo, tambores, tremedais, secura
Da galharia estralejantemente.
Tremor na terra e a se implantar na altura
Lua amarela, aparição demente.

Bichos urrando em tropelada louca;
De uma besta no cio a inúbia rouca;
Tambores soando cavos na clareira.

Culto pagão de guerreiros conversos;
Choques, bramires de caudais adversas;
Noite africana desnudada inteira.

Palíndromo
Rômulo Marinho

A diva, em Argel, Alegra-me a vida


Hai-kais
Antônio Carlos Osório

Visita
Provoco a chegada
e a maga me invade
tal fogo selvagem

Mágoa
Envolto de festa
o sino é calado,
menino magoado

Chicotada
De repente alta noite
estala e corta açoite
da certeza da morte

 
Há muito tempo perdi o pássaro da minha vida;
Fiz das minhas mãos gaiola para prendê-lo;
Mas parecia não mais possuir dedos pra contê-lo;
E no desespero fatal, esmaguei-o de afetos, de / carinho...
Matei o pássaro dos meus sonhos!
Matei o pássaro do meu ninho!

Luiz Carlos de Oliveira Cerqueira


A poesia e a tempestade
José Godoy Garcia

A poesia conhece mais que a terra.
Conhece, pelo menos três tempestades.
A do pássaro
A do céu
A do vôo