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CRÔNICA


O CAVALEIRO DAS ARTES
( Publicada no Caderno Brasília, Hoje em Dia, 22 a 28 de julho de 2001, n 220, e, com alguns cortes, no Jornal da Comunidade, de 22 de julho de 2001, de Brasília, p. 14)
)
Leon Frejda Szklarowsky
Pinheirinho, ou José Ribamar Pinheiro Filho, nasceu na encantadora São Luís do Maranhão. Terra de bravos e heróicos cavaleiros. Quando menino, quantas vezes não se terá banhado nas lindas e selvagens praias de um mar bravio e quente, hospedando um povo fidalgo, de falar cantante e olhar longínquo, em busca de seus irmãos de tantos brasis deste Brasil gigante e hospedeiro. O homem do nordeste traz em sua alma a poesia e o canto que faz dele o artista e o violeiro nato, levando para os rincões mais afastados a musicalidade e a fidalguia de sua alma sofrida mas valente.
Assim é Pinheirinho, o cavaleiro andante da literatura e das artes. Como seus irmãos do nordeste, sai em busca de sonhos. Procura outras terras. Não olvida sua infância. Não permite que a cidade grande apague de sua memória os folguedos da meninice e o aconchego de seu lar, envolto no mistério que só ele sabe desvendar. E por que deixou para trás tudo isso, em busca da aventura ou da desventura?
Eis o espírito indomável deste cultor das letras e curioso da arte. Entretanto, não é só. Sua religiosidade torna-o quase um monge beneditino, pela pureza de alma e riqueza de valores espirituais, sem se perturbar com este mundo de tantos e miseráveis níqueis que abastardam o homem moderno, mas não consegue aniquilar o que de mais puro existe no ser humano: a vontade incontida de fazer o bem, custe o que custar.
Pinheirinho, na sua pureza e ingenuidade, descobre o Rio de Janeiro. Não o Rio violento e hostil, senão o Rio da cultura e das belezas naturais que fazem inveja a todos, por sua grandiosidade. E conhece, dentre tantos, o notável escritor Antônio Carlos Vilaça, a quem serve como secretário e enfermeiro. Sua dedicação e amizade fazem de Vilaça seu admirador, que lhe dedica páginas em seu livro Os Saltimbancos da Porciúncula e em alguns contos. É, aliás, uma homenagem merecida.
Seu gênio inquieto o faz viajar para Brasília, jovenzinha e esbelta, a namoradinha do Planalto, que encanta a quem aqui aporta: o Centro Cultural e Político do Brasil.
En pleno cerrado, desenvolve seus dotes de divulgador da cultura e da arte. Descobre e promove talentos. Conhece escritores, jornalistas, artistas e poetas famosos. Convive com eles. Freqüenta livrarias e bibliotecas e torna-se um dos mais assíduos e famosos hóspedes dessas casas de cultura. As redações de jornais e revistas, as TVs e as rádios são seu novo lar.
Tímido, leva uma vida espartana e de pobreza fransciscana, voltada para a cultura. E reflete: alguns pensam que vivem, mas estão totalmente enganados. Iludem-se. Vegetam, no fausto inglório. Afundam-se, na miséria humana, na riqueza material que não leva a lugar nenhum. Não experimentaram jamais, quão rica é a vida, num plano que nunca alcançaram, com a musicalidade celestial do amor, da glória de amar e ser amado, de doar e receber doação, não do vil metal ou do enganoso pedaço de ouro - metal ou ofuscante diamante e da passageira e absurda glória terrena, pelo nada que fez!
Sua preocupação maior reside em manter contato com as pessoas e avivar nelas o espirito de solidariedade. Afinal, ninguém é vazio bastante que não tenha o que dizer. Todos os seres têm dentro de si algo significativo para transmitir. E Pinheirinho consegue projetar sua paixão inata pelo ser humano e pelo que de mais sagrado existe no Universo, cultivando a liberdade de fazer tudo da melhor maneira. Acredita no homem. Acredita em Deus. Acredita que todo ser humano traz em si a energia celestial, mas poucos a utilizam ou sabem utilizá-la. E, por isso, incentiva-o, sempre.

Brasília, 15/07/2001 01:07:05

Autorizo a publicação e a divulgação